
Berlin tem sua presença sempre marcada no esporte base do olimpismo. Desde os feitos históricos nos Jogos Olímpicos de 1936. Passando pela cisão das Alemanhas que marcou muito os feitos de atletas da forte face oriental (três recordes mundiais se mantém até hoje) como da ocidental (dois). E depois com os grandes eventos do atletismo passando por lá. Lembramos que a Maratona de Berlin é uma da cinco maiores do mundo e trajeto de dez recordes mundiais, inclusive os três últimos. Sem contar com uma das seis etapas da Golden League (este ano, Berlin sediou a abertura em junho).
Agora foi a vez da capital alemã receber o 12º Mundial de Atletismo. Nove dias que ficaram na história do esporte. Aqui, vou selecionar alguns momentos inesquecíveis do maior campeonato de esporte olímpico de todos os tempos.
Raio cai duas vezes no mesmo lugar
Como em Beijing'2008, o 'relâmpago' jamaicano Usain Bolt fez o inimaginável. Tornou-se campeão nos 100m e 200m com quebra de recorde mundial em ambos. Foi mais rápido até que o cronômetro que cravou 19.20, tempo corrigido para 19.19 nos 200m. Número cabalístico, como promete ser a carreira deste ainda jovem de 23 anos recém completados. A quem diga que ele também seria imbátivel se treinasse o salto em distância. Tal qual Jesse Owens ou Carl Lewis, cada qual em sua época. Vindo de Bolt, ninguém mais duvida de nada.
Registro histórico: apenas três velocistas ganharam as mesmas provas que Bolt (100m, 200m e 4x100m) num mesmo Mundial, porém, nenhum deles registrou dois recordes mundiais nas provas individuais durante estas conquistas:
2007: Tyson Gay (USA)
1999: Maurice Greene (USA)
1983: Carl Lewis (USA)
É tetra!
Muitos atletas até já foram bicampeões mundiais em alguma prova atlética. Nem tantos conquistaram o tri. Agora, foram pouquíssimos aqueles que chegaram ao tetra. Como o fundista etiope Kenenisa Bekele que, em Berlin, ganhou seu quarto título mundial seguido nos 10000m. Acompanhando os passos do atual recordista mundial da maratona, o conterraneo Haile Gebrselassie.
Registro histórico: confira aqui a lista dos maiores colecionadores de ouro numa mesma prova em Mundiais:
6 vezes:
Seguey Bubka (URS/UKR) no salto com vara (1983-97)
5 vezes:
Lars Riedel (GER) no lançamento de disco (1991-01)
4 vezes:
Haile Gebrselassie (ETH) nos 10000m (1993-99)
Michael Johnson (USA) no 400m (1993-99)
Allen Johnson (USA) no 110m com barreiras (1995-03)
Kenenisa Bekele (ETH) nos 10000m (2003-09)
3 vezes:
Carl Lewis (USA) no 100m (1983-91)
Greg Foster (USA) no 110m com barreiras (1983-91)
Werner Günthör (SUI) no arremesso de peso (1987-93)
Butch Reynolds (USA) no 4x400m (1987-95)
Moses Kiptanui (KEN) no 3000m com obstáculos (1991-95)
Noureddine Morceli (ALG) no 1500m (1991-95)
Dan O'Brien (USA) no decatlo (1991-95)
Gail Devers (USA) no 100m com barreiras (1993-99)
Jearl Miles (USA) no 4x400m (1993-03)
Dwight Phillips (USA) no salto em distancia (2003-09)
Allyson Felix (USA) no 200m (2005-09)
Sanya Richards (USA) no 4x400m (2003-09)
Lágrimas e sinceridade
Ela, talvez, fosse a maior favorita entre todas as estrelas deste Mundial. Mas falhou. Elena Isinbaeva (única mulher a saltar com vara acima dos 5m, e várias vezes) fracassou em suas três tentativas iniciais de Berlin, quando o sarrafo estava em 4m80. Ficou em último, entre as finalistas. Errou como qualquer ser humano. Chorou como as pessoas mais emotivas. Mas foi sincera em declarar, ainda no calor das emoções, que precisaria repensar sua carreira, pois achava estar mais focada em assuntos fora do esporte. Maturidade que também faz um verdadeiro campeão.
Registro histórico: Isinbaeva pode ter sido a maior, mas não a unica zebra neste Mundial. Olha só a listinha dos atuais campeões olímpicos que naufragaram no Estádio Olímpico de Berlin:
Salto em distância-M: Irving Saladino (PAN) - último na final
110m com barreiras-M: Darren Robles (CUB) - ficou na semifinal
4x100m-F: EUA desclassificado na eliminatória
Legião estrangeira
Vários atletas (especialmente africanos) acabam mudando de bandeira no atletismo atrás de uma vida melhor. Os fundistas do Quênia e Etiopia são os mais cobiçados.
Registro histórico: diversos atletas trocaram de bandeira na história e fizeram seus 'novos' hinos tocarem pelos estádios do mundo. Veja alguns desses emigrantes do esporte:
Youssef Kamel (BHR) ex-Quênia - 1500m (ouro)
Bernard Lagat (USA) ex-Quênia - 1500m (bronze) e 5000m (prata)
James Kurui (QAT) ex-Quênia - 5000m (bronze)
Veteranos em forma
Ela disputou duas finais olímpicas e duas mundiais. Mas quando menos esperavam a jamaicana Brigitte Foster-Hylton tratou de celebrar o seu primeiro grande título. Na tarde desta quarta-feira, a atleta de 34 anos venceu a final dos 100 m com barreiras no Campeonato Mundial de atletismo, em Berlim, e estabeleceu um novo marco para o país.
Registro histórico: mais trintões (e até quarentões) marcaram presença em pódios mundiais. Veja alguns deles:
Dobradinhas
Até quase ocorreu uma trinca na pista alemã. Foi na final dos 3000m com obstáculos. O francês Bouabdellah Tahri ultrapassou no finalzinho Paul Koech (na foto acima) e impediu um pódio todo queniano. Porém, foram sete as dobradinha em Berlin'2009.
Registro histórico: vamos relembrar as provas em que dois atletas do mesmo país subiram nos degraus mais altos? Aqui vai:
100m-F: Shelly-Ann Fraser e Kerron Stewart (JAM)
5000m-F: Vivian Cheruiyot e Sylvia Kibet (KEN)
Salto com vara-F: Anna Rogowska e Monika Pyrek (POL)
Salto triplo-F: Yargeris Savigne e Mabel Gay (CUB)
400m-M: LaShawn Merritt e Jeremy Wariner (USA)
3000m com obstáculos-M: Ezekiel Kemboi e Richard Mateelong (KEN)
Maratona-M: Abel Kirui e Emmanuel Kipchirchir Mutai (KEN)
Confira os códigos dos países.
Limite do ser-humano
Foram estabelecidos em Belrin três novos recordes mundiais, dois do fenômeno Usain Bolt e outro da jovem lançadora de martelo polonesa Anita Włodarczyk (na foto acima).
Registro histórico: Em 12 campeonatos mundiais, nem em todos tivemos quebras das maires marcas. Conheça aqui a estatística, de Helsinque À Berlin, do número de recordes mundiais batidos em cada edição:
Helsinque'83 (Finlândia): 2
Roma'87 (Itália): 2
Tóquio'91 (Japão): 3
Stuttgart'93 (Alemanha): 4
Goteumburgo'95 (Suécia): 3
Atenas'97 (Grécia): 0
Sevilha'99 (Espanha): 2
Edmonton'01 (Canadá): 0
Paris'03 (França): 0
Helsinque'05 (Finlândia): 2
Osaka'07 (Japão): 0
Berlin'09 (Alemanha): 3
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