sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Mais símbolos olímpicos para 2012

O Comitê Organizador de Londres'2012 lançou oficialmente os pictogramas que representam os esportes olímpicos integrados no seu programa. Foram desenvolvidos dois tipos de design para cada modalidade: a já convencional silhueta (que poderá ter fundo preto com símbolo branco ou vice-versa) e o dinâmico (na imagem acima). Este último foi inspirado no mapa das linhas do metro londrino, primeiro a operar no mundo (1863).
Pela primeira vez foram criados símbolos para variantes de modalidades. Por exemplo, em Jogos Olímpicos anteriores o ciclismo possuia um único pictograma. Desta vez, as quatro modalidades olímpicas ciclísticas (pista, estrada, BMX e mountain bike) terão, cada uma, sua identidade simbólica própria. O mesmo ocorre com o hispimo, agora com três pictogramas (adestramento, CCE e saltos). Outra novidade é o pentatlo moderno que possue cinco esportes conjuntos (tiro com pistola, natação, esgrima, saltos do hipismo e corrida a pé) agrupados num único símbolo que, pela primeira vez, ocupará um espaço referente à dois pictogramas.

O que significa cada pictograma?
Serão 37 modalidades em Londres'2012, cada uma idenficada por um simbolo. Acima, vemos as duas versões de pictogramas para os próximos Jogos Olímpicos da Era Moderna nos seguintes esportes (da esquerda para a direita):
1ª linha: saltos ornamentais, natação, nado sincronizado, pólo aquático, ginástica artística, ginástica rítmica, ginástica em trampolim e handebol;
2ª linha: tiro com arco, atletismo, badminton, basquete, hóquei na grama, judo, remo e tênis;
3ª linha: boxe, canoagem slalom, canoagem velocidade, BMX, triatlo, vôlei de areia, voleibol e vela;
4ª linha: mountain bike, ciclismo em estrada, ciclismo em pista, hipismo adestramento, tiro esportivo, tênis de mesa, taekwondo e levantamento de peso;
5ª linha: hipismo CCE, hipismo saltos, esgrima, futebol, lutas olímpicas e pentatlo moderno.


Pictogramas de Vancouver'2010

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Mãos à obra

Cerca de 440 ginastas de 72 países estão em Londres, na terra dos próximos Jogos Olímpicos, com as mãos cheias de pó de magnésio e a cabeça focada na primeira grande competição de ginástica após Beijing'2008. É o 41º Mundial de Ginástica Artística que começa daqui a pouco, com as classificatórias masculinas, e vai até domingo próximo na moderníssima Arena O2 (na foto abaixo). A obra multi-uso britânica abriga desde concertos musicais até eventos esportivos, sendo que o espaço disponível para este Mundial contará com capacidade para 12 mil expectadores confortavelmente sentados. Já em Londres'2012, o local a ser utilizado para as ginásticas (artística, rítmica e de trampolim) será o North Greenwich Arena.
Agora, serão disputadas apenas provas individuais no setor feminino (geral, barras assimétricas, salto sobre a mesa, solo e trave de equilíbrio) e masculino (geral, argolas, barra fixa, barras paralelas, cavalo com alças, salto sobre a mesa e solo). Várias estrelas não competirão em Londres, como a russa naturalizada norte-americana Nastia Liukin, maior vitoriosa em Beijing'2008 (cinco medalhas e campeã no individual geral) e no último Mundial (dois ouros e uma prata).
O Brasil contará com uma equipe feminina bastante renovada (quatro ginastas), onde as mais experientes são Khiuani Dias e Ethiene Franco, ambas com 17 anos. Já entre os homens (seis atletas inscritos), o 'veterano' Mosiah Rodrigues (28 anos de idade), além de ginastas com bagagem internacional como Victor Rosa estarão em ação. A única esperança de pódio é ainda Diego Hypólito na prova de solo (veja histórico mais abaixo). Nosso bi-campeão mundial fez um primeiro semestre soberbo com quatro ouros em etapas da Copa do Mundo. Mas em junho passou por uma artroscopia no ombro direito que o afastou de treinos e competições até agosto. Recuperado, desistiu da prova de salto e somente competirá no Mundial em solo. Passou por duas semanas de aclimatação em Madrid, treinando em equipamento identico ao que será utilizado na capital inglesa. Ele confirmou que deverá executar, já na fase classificatória, um dos seus mais complexos movimentos, o Hypólito 1 (duplo twist carpado). Diego aponta como seus principais adversários o chinês Zou Kai (atual campeão olímpico), Kohei Ushimura (Japão), Alexander Shatilov (Israel), Steven Legendre (EUA) e seu eterno rival, o romeno Marian Dragulescu, campeão mundial em 2006 quando o brasileiro foi prata. A grande baixa de última hora foi o alemão Fabian Hambuechen (cotado para o ouro no individual geral) que sofreu contusão no tornozelo esquerdo ontem e foi cortado.

Programação do Mundial de Ginástica Artística
Dia 13 - (6h-18h):
Classificatórias masculinas
Dia 14 - (6h-18h):
Classificatórias femininas
Dia 15 - (14h30-17h):
Final geral masculina
Dia 16 - (14h30-17h):
Final geral feminina
Dia 17 - (9h-12h30):
Finais aparelhos masc. - solo, cavalo e argolas
Finais aparelhos fem. - salto e assimétricas
Dia 18 - (9h-12h30):
Finais aparelhos masc. - salto, paralelas e fixa
Finais aparelhos fem. - trave e solo


Medalhas brasileiras em Mundiais
Foram seis pódios que tiveram ginastas do Brasil em 106 anos de história dos Mundiais da modalidade (o inicio ocorreu em Antuérpia, na Bélgica, no ano de 1903). Nas últimas seis edições, apenas em Debrecen'2002 (Hungria) não tivemos medalhas. Curiosamente, cinco destas conquistas foram no solo individual, três delas com Diego Hypólito (website). Veja nossos medalhistas:
Ghent'2001 (Bélgica):
Prata - Daniele Hypólito (solo)
Anaheim'2003 (EUA):
Ouro - Daiane dos Santos (solo)
Melbourne'2005 (Austrália):
Ouro - Diego Hypólito (solo)
Aarhus'2006 (Dinamarca):
Prata - Diego Hypólito (solo)
Stuttgart'2007 (Alemanha):
Ouro - Diego Hypólito (solo)
Bronze - Jade Barbosa (geral individual)


Acompanhe pelo link do Twitter Olímpico as principais notícias do olimpismo internacional, em especial, deste Mundial de Ginástica Artística.

domingo, 6 de setembro de 2009

Surpresas da turma de Moncho

O basquete masculino do Brasil embarcou desacreditado para o Caribe. A participação da 14ª Copa América, classificatória para Turquia'2010, tinha um toque decisivo para a atual comissão técnica. Chegou a ser cogitada a mudança por um treinador croata (talvez já definido) ao final do torneio. Certo é que o contrato da CBB com o espanhol Moncho Monsalve vai até novembro próximo. Mas no fundo, no fundo mesmo, ficava aquela esperança de 'divisor de águas', saindo da fase nefasta que vivia nosso basquete para um verdadeiro resgate de valores no cenário internacional. E o inesperado surgiu. Mesmo ainda com desfalques, o Brasil já pode contar com um time de melhor qualidade, também com jogadores que atuam fora, como a dupla da NBA (Anderson Varejão e Leandrinho) e os 'espanholeiros' Marcelinho Huertas e Tiago Splitter, além de outros valores que permanecem em quadras brasileiras, como Alex Garcia, do Universo (DF). Este foi o quinteto base. A defesa, o ponto alto desta seleção, contrariando as expectativas temerosas. Um ataque bem organizado contanto com o armador em dias inspirados. O maior problema para Huertas é estar, por enquanto, sozinho nesta posição. O excesso de tempo em quadra desgasta qualquer um, sem contar com uma possível acomodação por não ter um reserva 'ameaçador' à espreita. Concorrencia sempre é bom. Moncho também fez pouco uso de seu banco. Durante os 10 jogos, basicamente, apenas sete jogadores foram utlizados. Os cinco titulares (Huertas, Varejão, Tiago, Leandrinho e Alex) mais dois reservas (Marcelinho Machado e João Paulo). O resto entrou pouquíssimo ou nada, durante a campanha. Pouco revezamento.

Muita gente reclamou do baixo nivel técnico desta 14º Copa América de Basquete Masculino. Será mesmo que foi tão baixo? Tudo bem que a Argentina realmente veio dilacerada, sem quatro feras inquestionáveis (Manu Ginóbili, Andrés Nocioni, Fabrício Oberto e Carlos Delfino), e até o Brasil contou com desfalques importantes (como o Nenê). Porém, várias das 40 partidas totais 'incendiaram' o Coliseo Roberto Clemente de San Juan, em Porto Rico. Dez seleções masculinas das Américas concorreram, desde o dia 26 de agosto, à quatro vagas para o 15º Mundial de Basquete, marcado para daqui um ano na Turquia. Alguns jogos com muita emoção, culminando com a final entre Brasil e os anfitriões. Porto Rico queria mesmo o quinto título. Partida dramática no último quarto, com seu maior craque, Carlos Arroyo, perdendo os 3 pontos da virada e do título (no finalzinho). O aro foi a trave para os portorriquenhos. Veja o vídeo com o final da decisão neste link do Beijing Olímpíca. E o Brasil conquistou, pela terceira vez (segunda como evento Pré-Mundial), a Copa América de Basquete Masculino. São nove pódios brasileiros na história do evento, assim como para Porto Rico. Argentina (escorada totalmente no cestinha Luis Scola, na foto acima, com 233 pontos) terminou com o bronze. Canadá completou a lista dos classificados das Américas para o próximo Mundial, que tem ainda Turquia (sede), Estados Unidos (último campeão olímpico), três seleções da África (Angola, Costa Rica e Tunisia), três da Ásia (China, Irã e Jordania) e duas da Oceania (Austrália e Nova Zelândia). Faltam as seis seleções européias que saem ainda este mês da seletiva continental, marcada para a Polônia, e as quatro últimas seleções da seletiva final, em dezembro. Serão 24 equipes jogando em cinco ginásios de quatro cidades turcas (Ankara, Istanbul, Izmir e Kayseri).

Nossa torcida, agora, fica para que os 12 meses, pela frente, sirvam para melhor preparar os 12 brasileiros que jogarão nas quadras turcas. Sem ufanismo, mas com o foco na estruturação, que ainda está em processo. Tudo rumo à Londres'2012, uma sonhada redenção olímpica após 16 anos de ausência.

Campanha brasileira
1ª fase:
Brasil 81x68 Rep.Dominicana
Brasil 87x67 Venezuela
Brasil 76x67 Argentina
Brasil 84x64 Panamá
2ª fase:
Brasil 92x61 México
Brasil 68x59 Canadá
Brasil 82x62 Uruguai
Porto Rico 86x82 Brasil
Semifinal:
Brasil 73x65 Canadá
Final:
Brasil 61x60 Porto Rico
Score final do Brasil
Pontos marcados: 786 pts.
Pontos sofridos: 659 pts.
Saldo: +127 pts.


Copa América de Basquete Masculino
1º 1980: San Juan (PUR) - Porto Rico, Canadá e Argentina
2º 1984: São Paulo (BRA) - Brasil, Uruguai e Canadá
3º 1988: Montevideo (URU) - Porto Rico, Brasil e Canadá
4º 1989: Mexico (MEX) - Porto Rico, EUA e Brasil
5º 1992: Portland (USA) - EUA, Venezuela e Brasil
6º 1993: San Juan (PUR) - EUA, Porto Rico e Argentina
7º 1995: Tucuman (ARG) - Porto Rico, Argentina e Brasil
8º 1997: Montevideo (URU) - EUA, Porto Rico e Brasil
9º 1999: San Juan (PUR) - EUA, Canadá e Argentina
10º 2001: Nuequen (ARG) - Argentina, Brasil e Canadá
11º 2003: San Juan (PUR) - EUA, Argentina e Porto Rico
12º 2005: Santo Domingo (DOM) - Brasil, Argentina e Venezuela
13º 2007: Las Vegas (USA) - EUA, Argentina e Porto Rico
14º 2009: San Juan (PUR) - Brasil, Porto Rico e Argentina
Obs.: Em cada edição, na sequência, os três países medalhistas.

De chuá!!!
Ainda na primeira fase, o desinteressante jogo entre Canadá e México teve, ao menos, um lance interessantíssimo. Veja a cesta sensacional feita pelo canadense Tyler Kepkay, jovem armador de Vancouver, no último segundo do primeiro quarto. Neste link do Youtube, tem os melhores momentos da primeira vitória canadense (95x40) no dia 27 de agosto.

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domingo, 30 de agosto de 2009

Dojo cheio de histórias

Cinco dias de muita atividade no 26º Mundial de Judô. Roterdã recebeu o maior campeonato do ano nesta modalidade, mesclando alto nível com agilidade no transcorrer das lutas. Uma grandiosa competição e enxuta. A experiência da Federação Internacional de Judo em minimizar a repescagem (agora, só os perdedores das quartas ou semifinais têm nova oportunidade pra concorrer ao bronze) pode até parecer injusta, mas deu um rítmo mais interessante ao evento. E ainda mais interessante foram as grandes disputas presenciadas no dojo (área de competição) da Arena Ahoi: 340 ippons aplicados dentre as 14 categorias. E bastante equilíbrio também, já que 46 combates foram para o golden score. Ao todo, 27 países subiram no pódio e 10 deles ganharam ouro. Se bem, que os guerreiros orientais ainda mostram sua tradição na luta marcial. Japão, pela 25ª vez, liderou o quadro de medalhas. E 36% delas foram pra Ásia com as conquistas japonesas (sete), além da Coréia do Sul (cinco), China e Uzbequistão (ambos com duas), Cazaquistão, Coréia do Norte, Mongólia e Tunisia (estes, com uma cada). Vamos rever aqui alguns pontos importantes ou curiosos.

Ippon!
Foi o que duas judocas campeãs mais ouviram em suas lutas no tatami holandês. A ligeiro japonesa Tomoko Fukumi ganhou os quatro primeiros combates com a pontuação máxima do judo. O que lhe valeu vaga na final contra a espanhola Olana Blanco, vencida 'apenas' por waza-ari. Já a surpreendente colombiana (única medalhista sul-americana) Yuri Alvear (na foto acima) ganhou todas as suas quatro lutas por ippon ficando pouco mais de 11 minutos em ação. E um recorde da competição foi dessa peso médio: a vitória mais rápida, em 17 segundos, na semifinal contra a italiana Erica Barbieri.

Saldo irregular
Dos 97 países participantes, nove vieram com número máximo de 14 inscritos (Alemanha, Coréia do Sul, EUA, França, Holanda, Japão, Rússia e Ucrânia) e outros três países levaram 13 cada para este Mundial (Brasil, Cazaquistão e Mongólia). Mas a nova fórmula de repescagem pegou tudo mundo de surpresa. Vão precisar ainda alguns eventos fortes para se acostumarem. Mesmo o Japão, maior campeão (liderou o quadro geral em 25 das 26 edições) e berço do judô, sofreu com a estatística final. Das 14 categorias, oito tiveram japoneses entre os oito finalistas (bem abaixo da média deles). Foram três medalhas de ouro, uma prata, três bronze e um quinto lugar. Aliás, título geral graças as garotas, já que das sete japonesas inscritas, seis ficaram entre as primeiras, incluindo os três títulos. A Coréia do Sul veio em segundo com seis boas colocações (dois ouro, três bronzes e um sétimo), pouco melhor que a França (dois ouro, um bronze, um quinto e um sétimo). Das 12 equipes mais numerosas, o pior desempenho foi norte-americano sem nenhum atleta entrando na fase final. O Brasil terminou em 28º lugar com três quintos lugares.

Saudade de casa
Do lado oposto, Camarões e outros 13 países enviaram apenas um judoca cada para Roterdã. E o ligeiro Martin Messina foi ainda mais rápido em voltar pra África: durou 54 segundos na categoria até 60kg diante do peruano Juan Acuña. O menor tempo? Que nada. O meio-leve Raymond Ovinou, vindo do provável menor país neste Mundial (Papuá Nova Guiné, arquipélago do Pacífico Sul), resistiu bravios 15 segundos em sua primeira luta. O belga Fabrice Flamand não teve dó. Porém, o melhor 'solitário' no Mundial'2009 foi o montenegrino Srdjan Mrvaljevic que chegou a disputar o bronze após cinco combates (quatro vitórias), mas perdeu para o campeão olimpico Ole Bischof da Alemanha.

Zebra solta
Judo é uma caixinha de surpresas. Como todo o esporte, aliás. Vou destacar, aqui, os maiores favoritos que não se deram nada bem neste Mundial:
Alina Dumitru (ROM -48kg): a campeã olimpica até começou bem, mas acabou perdendo na decisão da medalha e terminou em quinto. Ela foi bronze nos dois Mundiais anteriores.
Choi Min-Ho (KOR -60kg): atual campeão olímpico e mundial em 2003 caiu no 2ª combate.
Masato Uchishiba (JPN -66kg): o bicampeão olímpico dos meio-leves perdeu logo a segunda luta das eliminatórias.
Lucie Décosse (FRA -70kg): fez grande sucesso na categoria até 63kg, com medalhas olímpica e mundiais, além de ser a atual pentacampeã européia, mas na categoria perdeu pra húngara logo na segunda luta. A francesa aparece na foto abaixo.


De bandeira nova
Não é incomum, atletas que trocam de pais para competir em alto rendimento. Em Roterdã'2009 teve vários desses casos. Até brasileiro. Sergio Pessoa Jr nasceu por aqui, mas mora há muitos anos com os país no Canadá, país que escolheu para competir no judô. Ele é filho do homônimo que já foi atleta olímpico brasileiro e hoje dá aulas de judo na América do Norte. Tem também o ex-norte-coreano Woo Su Choi (origem inconfundível) que defende agora a Nova Zelandia (-81kg). Além da 'familia' Iliadis competindo com quimono grego. Ilias (-90kg), Dionysios (-100kg) e Vassileios (+100kg) são georgianos de nascimento, mas em 2004, junto com outros três judocas de sua antiga nação, foram competir nos Jogos Olimpicos pelo país anfitrião. Trocaram de bandeira e de nomes, também. E mesmo não tendo parentesco algum, escolheram sobrenome igual, de origem grega, praticamente um 'da Silva' por lá.

Os primeiros
A colombiana, que já mencionei, ganhou a primeira medalha de seu país num Mundial de Judo. E justo ouro. Ocorreu também o primeiro confronto final entre judocas das duas Coréias (na foto abaixo). Wang Ki-Chun (do sul) ganhou de Kim Chol Su (do norte), este punido por três shidos (waza-ari). E a novidade mais emocionante foi de uma pentacampeã seguida e inédita. A simpática gigante chinesa Tong Wen conquistou (sorrindo) seu quarto título mundial na sequência em duas categorias diferentes (+78kg e Aberto, que não é mais disputada). Lembro, apenas, que a maior campeã ainda é a ligeiro Ryoko Tani (Tamura) com sete ouros (alternados) e só não foi à Roterdã por estar grávida. A belga Ingrid Berghmans tem seis ouros, mas não seguidos como já contei numa matéria histórica.

Resumo brasileiro
Havia uma enorme e justificada expectativa com relação aos resultados dos brasileiros na Holanda. Mas a campanha foi absolutamente sofrível, embora tenham ficado perto da 20ª medalha brasileira em Mundiais. O que faltou? Treino e competição não foi. Talvez, mais atenção e equilíbrio, já que em diversas derrotas nosso judocas estavam em vantagem ou tinham cartel bem melhor que o adversário. Vamos ao retrospecto:
Sarah Menezes - Ligeiro (-48kg) - 5º lugar
A quarta colocada no ranking, disputou cinco combates com 3 vitórias, sendo as duas primeiras contra a argentina (bronze olimpica), a russa e a terceira, já na repescagem, diante da bielorrussa. Perdeu pra romena (nas quartas) e o bronze pra sul-coreana Chung Jung-Yeon.
Erika Miranda - Meio-leve (-52kg)
Venceu fácil a indiana por ippon em dois minutos de combate. Mas no encontro seguinte, muito equilibrado, foi derrotada por Yanet Bermoy na decisão pelas bandeiras. A cubana conquistou a prata.
Rafaela Silva - Leve (-57kg) - 5º lugar
Com o 8º lugar no ranking anterior, a carioca foi muito bem vencendo as duas primeiras lutas (Costa Rica e EUA) por ippon. Na decisão da chave, perdeu para a japonesa. Na repescagem, depois de derrotar a chinesa de Taipei, acabou perdendo o bronze por ippon para Kifaya Gasimova, do Azerbaijão.
Danielli Yuri Barbosa - Meio-médio (-63kg)
Eliminada por ippon, logo na estréia, para judoca russa, quando estava em vantagem.
Maria Portela - Médio (-70kg)
Derrotou a norte-coreana por yuko, mas foi derrota logo na sequência pela eslovena.
Rochelle Nunes - Pesado (+78kg)
Não passou, na estréia, pela cubana Idalis Ortiz vitoriosa por ippon, e que acabou com o bronze.
Denílson Lourenço - Ligeiro (-60kg)
O mais velho dos nossos atletas (32 anos) sofreu dois waza-ari do ucraniano Georgii Zantaraia (logo na primeira luta), campeão mundial no dia.
Leandro Cunha - Meio-leve (-66kg)
Passou pelo moçambicano por ippon, mas foi derrotado para o bicampeão olímpico Masato Uchishiba, do Japão, também pela pontuação máxima.
Leandro Guilheiro - Leve (-73kg)
O quarto colocado no ranking abriu bem com duas vitórias por ippon (Suíça e Bulgária). Porém, perdeu por ippon para o cazaque e foi eliminado na terceira luta.
Nacif Elias - Meio-médio (-81kg)
O substituto de Tiago Camilo, entre os meio-médios, começou bem ao vencer o campeão mundial de 2005. Passou também pelo australiano por ippon. Mas perdeu para o francês por waza-ari e saiu da competição.
Tiago Camilo - Médio (-90kg)
Nossa maior decepção em Roterdã. O campeão mundial (-81kg) em 2007 perdeu logo de cara por ippon (menos de dois minutos de luta) justamente para o sul-coreano Lee Kyu-Won que se tornou o vencedor desta categoria.
Luciano Corrêa - Meio-pesado (-100kg)
Atual campeão mundial e lider do ranking dos meio-pesados, iniciou arrasador no tatami holandês, ganhando as duas primeiras lutas por ippon (Grécia e Chile) em menos de 2min50 de tempo somado. Mas, numa grande desatenção, foi derrotado no golden score pelo mongol que terminou em sétimo.
Daniel Hernandes - Pesado (+100kg) - 5º lugar
Outro brasileiro entre os 10 do mundo. Ficou perto do pódio. Ganhou bem do grego (duplo waza-ari) e do sul-coreano (ippon), mas também numa bobeira perdeu para o fortíssimo usbeque Abdullo Tangriev, que depois ganhou seu terceiro ouro mundial. Na repescagem, Daniel passou tranquilo pelo mongol, porém sofreu ippon para o lituano Marius Paskevicius, que ficou com a medalha de bronze.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Brasileiros em Roterdã'2009

Brasil seguiu para o 26º Mundial de Judô, em Roterdã, com uma delegação de 13 judocas (sete homens e seis mulheres) e das 14 categorias oficiais só não teremos representante no meio-pesado feminino. Nosso maior desfalque será mesmo o meio-leve João Derly, bicampeão mundial (2005/07), que se recupera de lesão muscular. Uma grande novidade é o versátil Tiago Camilo (duas medalhas olímpicas e atual campeão mundial dos meio-médios) que trocou este ano, pela terceira vez, de categoria. Além deste judoca do Pinheiros, Luciano Correa, Leandro Guilheiro e Sarah Menezes são também muito cotados para aumentar a coleção de medalhas brasileiras em Mundiais. Saiba mais sobre a história do evento, assim como detalhes das 19 conquistas nacionais em outra matéria aqui do Londres Olímpica. Voce poderá acompanhar a programação completa no dojo holandês do Sportspalace Ahoy neste link do weblog Beijing Olímpica.
Saiba, mais abaixo, um pouco dos nossos 13 lutadores e seus primeiros adversários em Roterdã.

Sarah Menezes
Ligeiro (-48kg)
Jovem talentosa piauiense de apenas 19 anos de idade, mas a melhor brasileira no ranking mundial atual, em 4º lugar com 452 pontos. Ela foi campeã mundial júnior em 2008 (permanece na categoria) e este ano já subiu nos pódios adultos do Grand Slam do Rio (bronze) e duas etapas da Copa do Mundo, em Madrid e Lisboa (ambos foi ouro). A curiosidade dessa mignon muito valente é ter sido a primeira atleta de seu Estado a participar de uma edição olímpica, em Beijing'2008.
Em cima do tatami: Na chave D, Sarah começa enfrentando a medalha de bronze olímpica, a argentina Paula Pareto. A principal judoca desse grupo eliminatório é a romena Alina Dumitru, campeã em Beijing'2008.

Denílson Lourenço
Ligeiro (-60kg)
O pinheirense de Tupã, interior de São Paulo, está em 30º (100 pontos) no ranking do mundo aos 32 anos (mais velho desta seleção). Bronze no Mundial por Equipes 2008, ganhou a etapa brasileira da Copa do Mundo nos dois últimos anos. No Mundial do Rio'2007, foi convocado em cima da hora para substituir o titular Alexandre Lee, lesionado. Como estava fora do peso, acabou não podendo competir.
Em cima do tatami: Sorteado na chave C, o paulista é bye na primeira série e enfrentará, na sua estréia, o vencedor entre o ucraniano Georgii Zantaraia (12º no ranking) e o britânico Ashley McKenzie. O judoca do Uzbequistão Richod Sobirov é o cabeça desta chave (3º do ranking mundial).

Erika Miranda
Meio-leve (-52kg)
Atualmente em 10ª no ranking mundial (268 pontos), a brasiliense, que luta pelo Minas Tênis, também é da safra nova com 22 anos de idade. Ela foi bronze no Grand Slam do Rio de Janeiro, além de ganhar a etapa brasileira da Copa do Mundo este ano. Quinta colocada no Mundial'2007, viveu enorme frustração ao ser cortada para Beijing'2008, poucos dias da estréia, devido a uma séria lesão no joelho.
Em cima do tatami: A terceira brasileira melhor ranqueada pegou bye por sorteio na primeira luta da chave A. E estréia contra a indiana Kalpana Thoudam (51ª do ranking). Natalia Kuzyutina, da Rússia, é a 1ª do mundo e está nesta chave.

Leandro Cunha
Meio-leve (-66kg)
Judoca paulista está em 32º (100 pontos) no ranking aos 28 anos de idade. Ganhou a Copa do Mundo em Belo Horizonte recentemente. Leandro tem a dura tarefa de substituir o bicampeão mundial João Derly, contundido este ano.
Em cima do tatami: O pinheirense estréia contra Bruno Luiza, de Moçambique. Na chave B, o principal judoca é o japonês Masato Uchishiba, atual bicampeão olímpico, que poderá enfrentar na segunda luta. Já o cabeça da chave é o russo Alim Gadanov, bronze nos dois últimos Europeus e 4º no ranking.

Rafaela Silva
Leve (-57kg)
A carioca de 17 anos, caçula da equipe brasileira, está em 8º no ranking da Federação Internacional (260 pontos). Foi campeã mundial júnior em 2008 (como Sarah, irá participar das seletivas para o próximo Mundial com idade até 19 anos), bronze no Grand Slam do Rio e ouro na Copa do Mundo em Madrid. Rafaela é fruto da ONG Instituto Reação, idealizada pelo judoca Flávio Canto, deixando a 'vida de rua' na periferia da Cidade de Deus. O quimono passou a dar novo rumo a ela.
Em cima do tatami: Pela poule C, passa livre na primeira rodada e enfrentará, também descansada, a costa-riquenha Adriana Pineda. A japonesa Kaori Matsumoto é a principal judoca deste grupo, atualmente em 2º no ranking.

Leandro Guilheiro
Leve (-73kg)
Também atleta do Pinheiros de São Paulo, tem 26 anos (recém completados) e ocupa o 4º lugar no ranking mundial (520 pontos). Possui dois bronzes olímpicos (Atenas'2004 e Beijing'2008), foi campeão mundial júnior em 2007 e vice no Grand Slam do Rio de Janeiro este ano. Leandro, no ciclo olímpico passado, sofreu seis cirurgias: punho (2004), quadril (2004), ombro direito (2006), ombro esquerdo (2008), joelho (2008) e coluna (2008). Mas nos extremos desta fase foi o primeiro brasileiro com duas medalhas olímpicas seguidas.
Em cima do tatami: O paulista estréia na chave C contra o suiço David Papaux (21º ranqueado). O principal adversário dessa fase eliminatória é o ucraniano Volodymyr Soroka, 5º no ranking atual.

Danielli Yuri Barbosa
Meio-médio (-63kg)
Paulista de 25 anos com o 14º lugar no ranking mundial (200 pontos). Conquistou bronze nas etapas portuguesa e brasileira da Copa do Mundo 2009. Dani morou alguns anos no Japão, onde aprendeu a lutar judô na academia do pai. Retornou ao Brasil para o Pan'2007, onde ganhou o bronze, e acabou sendo convocada para Beijing'2008.
Em cima do tatami: A russa Vera Koval (10ª do mundo) é a primeira adversária da brasileira pela chave B. Claudia Malzahn, da Alemanha, é a cabeça desta chave graças ao 5º lugar do ranking.

Nacif Elias
Meio-médio (-81kg)
O capixada também defende o Minas Tênis e encontra-se na 17ª posição do ranking (180 pontos). Vai completar 21 anos no final de setembro. Foi prata no Grand Slam do Rio de Janeiro e ouro nos Jogos da Lusofonia'2009. Começou no judô aos cinco anos, por ser uma criança hiperativa. Nacif é considerado a grande surpresa do judô brasileiro nesta temporada, estreando na seleção principal.
Em cima do tatami: Nacif estréia na chave C contra um judoca da casa Guillaume Elmont, campeão mundial em 2005 e bronze em 2007. O principal deste grupo de judocas é o bielorrusso Siarhei Shundzikau (3º no ranking do mundo).

Maria Portela
Médio (-70kg)
A judoca gaúcha de 21 anos é radica em São Paulo, ocupando o 13º lugar do atual ranking (228 pontos). Tem duas medalhas na Copa do Mundo de Belo Horizonte bronze (2008) e prata (2009), além do vice no Campeonato Pan-Americano deste ano. Portela é atleta do medalhista olímpico Henrique Guimarães, no Centro Olímpico do Ibirapuera, e estreiou este ano na seleção principal.
Em cima do tatami: Na poule B, a brasileira começa enfrentando a norte-coreana Jong Hui Hyong. A principal adversária na primeira fase é Rasa Sraka, da Eslovênia, a 5ª do ranking mundial

Tiago Camilo
Médio (-90kg)
Trocou a Sogipa pelo Pinheiros e é outro judoca nascido em Tupã, assim como Denilson. No ranking mundial, está em 6º lugar (340 pontos) aos 27 anos. Campeão mundial em 2007, também possui dois pódios olímpicos: prata em Sydney'2000 e bronze em Beijing'2008. Tiago (na foto no topo desta matéria) sobe pela terceira vez de categoria na carreira para buscar um feito inédito: uma medalha olímpica em três pesos diferentes (leve, meio-médio e médio). No primeiro ano entre os médios, já subiu três vezes em pódios importantes com o bronze nas etapas russa e brasileira do Grand Slam'2009, além do ouro na Copa do Mundo de Belo Horizonte.
Em cima do tatami: Nosso campeão mundial (na categoria logo abaixo) estreará contra o sul-coreano Kyu-Won Lee (34º no ranking) pela chave B. Principal concorrente, nesta fase inicial, é Elkhan Mammadov (7º do mundo), do Azerbaijão.

Luciano Corrêa
Meio-pesado (-100kg)
Nosso principal judoca no momento, liderando o ranking mundial (592 pontos), também é nascido em Brasilia há 26 anos, porém defende o Minas Tênis Clube, Conquistou o Mundial de 2007 e foi bronze na edição 2005. Este ano, ganhou prata no Grand Slam do Rio de Janeiro e ouro na etapa de BH da Copa do Mundo. Atleta mais regular da temporada, Luciano chegou a quatro finais de eventos internacionais recentes. Único brasileiro cabeça de chave número 1 neste Mundial da Holanda.
Em cima do tatami: Já o líder mundial, cabeça número 1 da chave A, enfrentará o grego Dionysios Iliadis (o 24º no ranking). O segundo melhor ranqueado dessa chave é o bielorrusso Yauhen Biadulin (11º).

Rochelle Nunes
Pesado (+78kg)
Com 20 anos, outra gaúcha, mas que treina na Sogipa, ocupando a posição 33 do ranking mundial (40 pontos). Foi bronze no Mundial Júnior em 2006 e tricampeã pan-americana, além do bronze na Copa do Mundo de Belo Horizonte em 2009. Em categorias de base, mostrou excelente serviço. Mudou de clube e agora investe tudo na estréia em seleção principal.
Em cima do tatami: Rochele folga no primeiro confronto da chave B, mas na sequencia tem parada dura contra a vencedora da luta entre a cubana Idalis Ortiz (bronze olímpica ano passado e atual 5ª do ranking) e a turca Nihel Chikhrouhou.

Daniel Hernandes
Pesado (+100kg)
O judoca do Pinheiros (quinto nesta convocação) ocupa a sexta posição do ranking (360 pontos). Tem duas medalhas em Mundiais por Equipe: prata (1998) e bronze (2008). Ganhou também o Grand Slam brasileiro. Após ser titular absoluto da categoria pesado no início dos anos 2000, Daniel perdeu o posto na seleção em 2007, quando foi superado pelo jovem João Schlittler. De volta à seleção, Daniel conquistou o único ouro do país no Grand Slam do Rio. Ao lado de Denílson, é o atleta que há mais tempo serve à seleção brasileira.
Em cima do tatami: O pesado brasileiro vai enfrentar na estréia deste Mundial o grego Vassileios Iliadis (57º do ranking), pela chave B, um dos seis judocas georgianos naturalizados desde 2004 (todos, mesmo não tendo parentesco entre si, adotaram o sobrenome Iliadis e três deles estão em Roterdã competindo).

Acompanhe pelo link do Twitter Olímpico os principais resultados do Mundial de Judô em Roterdã, tanto nas madrugadas (pelo horário brasileiro) quanto pela manhã na fase final.

domingo, 23 de agosto de 2009

Berlin, do oriente ao ocidente

Berlin tem sua presença sempre marcada no esporte base do olimpismo. Desde os feitos históricos nos Jogos Olímpicos de 1936. Passando pela cisão das Alemanhas que marcou muito os feitos de atletas da forte face oriental (três recordes mundiais se mantém até hoje) como da ocidental (dois). E depois com os grandes eventos do atletismo passando por lá. Lembramos que a Maratona de Berlin é uma da cinco maiores do mundo e trajeto de dez recordes mundiais, inclusive os três últimos. Sem contar com uma das seis etapas da Golden League (este ano, Berlin sediou a abertura em junho).
Agora foi a vez da capital alemã receber o 12º Mundial de Atletismo. Nove dias que ficaram na história do esporte. Aqui, vou selecionar alguns momentos inesquecíveis do maior campeonato de esporte olímpico de todos os tempos.

Raio cai duas vezes no mesmo lugar
Como em Beijing'2008, o 'relâmpago' jamaicano Usain Bolt fez o inimaginável. Tornou-se campeão nos 100m e 200m com quebra de recorde mundial em ambos. Foi mais rápido até que o cronômetro que cravou 19.20, tempo corrigido para 19.19 nos 200m. Número cabalístico, como promete ser a carreira deste ainda jovem de 23 anos recém completados. A quem diga que ele também seria imbátivel se treinasse o salto em distância. Tal qual Jesse Owens ou Carl Lewis, cada qual em sua época. Vindo de Bolt, ninguém mais duvida de nada.
Registro histórico: apenas três velocistas ganharam as mesmas provas que Bolt (100m, 200m e 4x100m) num mesmo Mundial, porém, nenhum deles registrou dois recordes mundiais nas provas individuais durante estas conquistas:
2007: Tyson Gay (USA)
1999: Maurice Greene (USA)
1983: Carl Lewis (USA)

É tetra!
Muitos atletas até já foram bicampeões mundiais em alguma prova atlética. Nem tantos conquistaram o tri. Agora, foram pouquíssimos aqueles que chegaram ao tetra. Como o fundista etiope Kenenisa Bekele que, em Berlin, ganhou seu quarto título mundial seguido nos 10000m. Acompanhando os passos do atual recordista mundial da maratona, o conterraneo Haile Gebrselassie.
Registro histórico: confira aqui a lista dos maiores colecionadores de ouro numa mesma prova em Mundiais:
6 vezes:
Seguey Bubka (URS/UKR) no salto com vara (1983-97)
5 vezes:
Lars Riedel (GER) no lançamento de disco (1991-01)
4 vezes:
Haile Gebrselassie (ETH) nos 10000m (1993-99)
Michael Johnson (USA) no 400m (1993-99)
Allen Johnson (USA) no 110m com barreiras (1995-03)
Kenenisa Bekele (ETH) nos 10000m (2003-09)
3 vezes:
Carl Lewis (USA) no 100m (1983-91)
Greg Foster (USA) no 110m com barreiras (1983-91)
Werner Günthör (SUI) no arremesso de peso (1987-93)
Butch Reynolds (USA) no 4x400m (1987-95)
Moses Kiptanui (KEN) no 3000m com obstáculos (1991-95)
Noureddine Morceli (ALG) no 1500m (1991-95)
Dan O'Brien (USA) no decatlo (1991-95)
Gail Devers (USA) no 100m com barreiras (1993-99)
Jearl Miles (USA) no 4x400m (1993-03)
Dwight Phillips (USA) no salto em distancia (2003-09)
Allyson Felix (USA) no 200m (2005-09)
Sanya Richards (USA) no 4x400m (2003-09)

Lágrimas e sinceridade
Ela, talvez, fosse a maior favorita entre todas as estrelas deste Mundial. Mas falhou. Elena Isinbaeva (única mulher a saltar com vara acima dos 5m, e várias vezes) fracassou em suas três tentativas iniciais de Berlin, quando o sarrafo estava em 4m80. Ficou em último, entre as finalistas. Errou como qualquer ser humano. Chorou como as pessoas mais emotivas. Mas foi sincera em declarar, ainda no calor das emoções, que precisaria repensar sua carreira, pois achava estar mais focada em assuntos fora do esporte. Maturidade que também faz um verdadeiro campeão.
Registro histórico: Isinbaeva pode ter sido a maior, mas não a unica zebra neste Mundial. Olha só a listinha dos atuais campeões olímpicos que naufragaram no Estádio Olímpico de Berlin:
Salto em distância-M: Irving Saladino (PAN) - último na final
110m com barreiras-M: Darren Robles (CUB) - ficou na semifinal
4x100m-F: EUA desclassificado na eliminatória

Legião estrangeira
Vários atletas (especialmente africanos) acabam mudando de bandeira no atletismo atrás de uma vida melhor. Os fundistas do Quênia e Etiopia são os mais cobiçados.
Registro histórico: diversos atletas trocaram de bandeira na história e fizeram seus 'novos' hinos tocarem pelos estádios do mundo. Veja alguns desses emigrantes do esporte:
Youssef Kamel (BHR) ex-Quênia - 1500m (ouro)
Bernard Lagat (USA) ex-Quênia - 1500m (bronze) e 5000m (prata)
James Kurui (QAT) ex-Quênia - 5000m (bronze)

Veteranos em forma
Ela disputou duas finais olímpicas e duas mundiais. Mas quando menos esperavam a jamaicana Brigitte Foster-Hylton tratou de celebrar o seu primeiro grande título. Na tarde desta quarta-feira, a atleta de 34 anos venceu a final dos 100 m com barreiras no Campeonato Mundial de atletismo, em Berlim, e estabeleceu um novo marco para o país.
Registro histórico: mais trintões (e até quarentões) marcaram presença em pódios mundiais. Veja alguns deles:

Dobradinhas
Até quase ocorreu uma trinca na pista alemã. Foi na final dos 3000m com obstáculos. O francês Bouabdellah Tahri ultrapassou no finalzinho Paul Koech (na foto acima) e impediu um pódio todo queniano. Porém, foram sete as dobradinha em Berlin'2009.
Registro histórico: vamos relembrar as provas em que dois atletas do mesmo país subiram nos degraus mais altos? Aqui vai:
100m-F: Shelly-Ann Fraser e Kerron Stewart (JAM)
5000m-F: Vivian Cheruiyot e Sylvia Kibet (KEN)
Salto com vara-F: Anna Rogowska e Monika Pyrek (POL)
Salto triplo-F: Yargeris Savigne e Mabel Gay (CUB)
400m-M: LaShawn Merritt e Jeremy Wariner (USA)
3000m com obstáculos-M: Ezekiel Kemboi e Richard Mateelong (KEN)
Maratona-M: Abel Kirui e Emmanuel Kipchirchir Mutai (KEN)
Confira os códigos dos países.

Limite do ser-humano
Foram estabelecidos em Belrin três novos recordes mundiais, dois do fenômeno Usain Bolt e outro da jovem lançadora de martelo polonesa Anita Włodarczyk (na foto acima).
Registro histórico: Em 12 campeonatos mundiais, nem em todos tivemos quebras das maires marcas. Conheça aqui a estatística, de Helsinque À Berlin, do número de recordes mundiais batidos em cada edição:
Helsinque'83 (Finlândia): 2
Roma'87 (Itália): 2
Tóquio'91 (Japão): 3
Stuttgart'93 (Alemanha): 4
Goteumburgo'95 (Suécia): 3
Atenas'97 (Grécia): 0
Sevilha'99 (Espanha): 2
Edmonton'01 (Canadá): 0
Paris'03 (França): 0
Helsinque'05 (Finlândia): 2
Osaka'07 (Japão): 0
Berlin'09 (Alemanha): 3

Acompanhe pelo link do Twitter Olímpico as principais notícias dos esportes olímpicos no Brasil e pelo mundo.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

História dos Mundiais 'faixa preta'

Os Campeonatos Mundiais de Judô começaram a ser disputados, apenas pelos homens, a partir de 1956 na capital japonesa Tóquio, berço deste esporte. O Rio de Janeiro sediou a quarta edição em 1965. Seguiram-se 11 mundiais só para judocas no setor masculino. Em 1980, Nova Iorque recebeu as primeiras mulheres para competir num Mundial de Judô. Durante quatro eventos, homens e mulheres iam alternando, ano a ano, a disputa de seus respectivos Mundiais. No ano de 1987, o 15º Mundial de Judô, disputado na cidade alemã de Essen, teve pela primeira vez competição tanto em categorias masculinas quanto femininas, o que continua até os dias atuais. A última edição, foi novamente no Rio em 2007, pouco depois dos Jogos Pan-Americanos, também na capital carioca. E na atual temporada, chegamos ao 26º Campeonato Mundial de Judô, que iniciará em Roterdã na próxima quarta-feira indo até domingo da semana que vem. A Holanda já sediou dois Mundiais (1981 e 1986), ambas em Maastricht.
O Japão é o maior vencedor nestes 53 anos do evento, somando 213 medalhas (95 de ouro), quase o dobro que a França com seus 112 pódios. Mas a grande campeã vem da Bélgica. Ingrid Berghmans (na foto acima) ganhou 11 medalhas em seis mundiais (entre 1980 e 1989), numa época em que haviam disputas também na categoria open (sem limite de peso). A maior japonesa é Ryoko Tamura (na foto abaixo), que depois de casada adotou o sobrenome Tani. Com oito medalhas mundiais (sete ouros) e cinco olímpicas (dois ouros), Ryoko continua na ativa e até já publiquei um pequeno breefing dela no blog Beijing Olímpica.

Maiores medalhistas mundiais
11 pódios:
Ingrid Berghmans (BEL) - 6 ouro, 4 prata e 1 bronze
8 pódios:
Ryoko Tani (JPN) - 7 ouro e 1 bronze
7 pódios:
Naoya Ogawa (JPN) - 4 ouro e 3 bronze
Driulis González (CUB) - 3 ouro, 1 prata e 3 bronze
Robert van de Walle (BEL) - 2 prata e 5 bronze
6 pódios:
Kye Sun-Hui (PRK) - 4 ouro, 1 prata e 1 bronze

Confira os códigos dos países.

Medalhas brasileiras em Mundiais
O Brasil possui 19 medalhas mundiais (4 de ouro, 2 de prata e 13 de bronze) , três delas femininas. A categoria meio-pesado já conquistou nove medalhas para o país, com maior destaque para nosso grande campeão, Aurélio Miguel (na foto acima) com três pódios mundiais e outros dois olímpicos (ouro em Seul'88 e bronze em Atlanta'96). Já a categoria leve teve três brasileiros medalhistas mundiais, ficando na sequência a meio-leve (2 medalhas), médio (2), ligeiro (1), meio-médio (1) e pesado (1).
Vejamos aqui todas a medalhas brasileiras até agora:
Ludwigshafen'71 (FRG): Chiaki Ishii (meio-pesado) - bronze
Paris'79 (FRA): Walter Carmona (médio) - bronze
Essen'87 (GER): Aurélio Miguel (meio-pesado) - bronze
Hamilton'93 (CAN): Aurélio Miguel (meio-pesado) - prata
Hamilton'93: Rogério Sampaio (leve) - bronze
Tóquio'95 (JPN): Danielle Zangrando (leve) - bronze
Paris'97 (FRA): Aurélio Miguel (meio-pesado) - prata
Paris'97: Edinanci Silva (meio-pesado) - bronze
Paris'97: Fúlvio Myata (ligeiro) - bronze
Birmingham'99 (GBR): Sebastian Pereira (leve) - bronze
Osaka'03 (JPN): Mario Sabino (meio-pesado) - bronze
Osaka'03: Edinanci Silva (meio-pesado) - bronze
Osaka'03: Carlos Honorato (médio) bronze
Cairo'05 (EGY): João Derly (meio-leve) - ouro
Cairo'05: Luciano Corrêa (meio-pesado) - bronze
Rio de Janeiro'07 (BRA): João Derly (meio-leve) - ouro
Rio de Janeiro'07: Tiago Camilo (meio-médio) - ouro
Rio de Janeiro'07: Luciano Correa (meio-pesado) - ouro
Rio de Janeiro'07: João Gabriel Schilittler (pesado) - bronze
Confira os códigos dos países.

Acompanhe pelo link do Twitter Olímpico os principais resultados do Mundial de Judô em Roterdã, tanto nas madrugadas (pelo horário brasileiro) quanto pela manhã na fase final.